
A música baiana está de luto. O cantor Netinho morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. Conhecido nacionalmente por sucessos como “Milla”, “Beijo na Boca” e “Menina”, o artista construiu uma trajetória ligada à expansão do axé music e se tornou uma das vozes lembradas por gerações de foliões.
A morte foi anunciada pela equipe do cantor. Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, diagnosticado em 2025. A doença voltou a apresentar complicações em 2026 e evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o artista estava internado em Salvador desde o fim de setembro.
Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido artisticamente como Netinho, começou a ganhar projeção no cenário musical baiano no fim da década de 1980.
Em 1988, assumiu os vocais da Banda Beijo, grupo com o qual conquistou espaço no Carnaval e no movimento do axé music. Canções como “Beijo na Boca” ajudaram a consolidar sua presença entre os artistas populares da época.
Em 1993, Netinho iniciou a carreira solo e ampliou seu alcance nacional. A música “Menina” integrou a trilha sonora da novela Tropicaliente, enquanto outros trabalhos passaram a aproximar ainda mais sua voz do público brasileiro.
O grande marco de sua trajetória foi “Milla”, sucesso lançado na década de 1990 e que se tornou um dos hinos do Carnaval. A canção atravessou gerações e permaneceu presente em festas, micaretas e apresentações musicais pelo país.
A trajetória de Netinho também ficou marcada por momentos de projeção internacional. Em 1990, ainda à frente da Banda Beijo, participou de uma apresentação com trio elétrico na Itália durante a Copa do Mundo, em Turim, levando uma expressão característica do Carnaval brasileiro a torcedores de diferentes países.
Ao longo da carreira, o cantor se destacou pela energia no palco, pela presença nos trios elétricos e pela capacidade de transformar suas músicas em trilhas de festas populares. Seu repertório se tornou parte da memória afetiva de muitos baianos e de admiradores do axé em outras regiões do Brasil.
Netinho tornou público o diagnóstico de linfoma não Hodgkin do tipo B em 2025. Desde então, passou por tratamento médico, incluindo sessões de quimioterapia, e compartilhou com o público momentos de sua recuperação.
Mesmo diante das dificuldades de saúde, o artista manteve a expectativa de voltar aos palcos. Em 2026, porém, a doença voltou a preocupar sua equipe, e seu estado de saúde se agravou.
De acordo com as informações divulgadas após a morte, o quadro evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Segundo a assessoria do cantor, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, conforme o desejo manifestado por Netinho, com a presença de familiares e amigos próximos. Até o momento, não foram divulgados detalhes públicos sobre a cerimônia.
A morte do artista encerra uma trajetória que ajudou a marcar a história do axé music. Sua voz, suas apresentações no Carnaval e sucessos como “Milla” permanecem ligados à identidade musical da Bahia e à memória de milhões de fãs.