Internacional Carro voador
O carro saiu do chão, mas o futuro ainda não decolou: Elon Musk apresenta Tesla Roadster com propulsores
Demonstração nos Estados Unidos mostrou o esportivo fazendo uma manobra aérea com tecnologia inspirada na indústria espacial. Produção é prevista para 2028, mas ainda existem obstáculos para transformar o espetáculo em transporte cotidiano.
16/10/2026 20h36
Por: Herbert Rodrigues
Foto: Divulgação

Imagine estar preso em um congestionamento e ver um carro simplesmente abandonar o asfalto, girar no ar e aterrissar alguns metros adiante. Parece cena de ficção científica, mas foi justamente esse tipo de imagem que Elon Musk colocou diante do público ao apresentar a nova geração do Tesla Roadster, na quinta-feira (15), no Texas, Estados Unidos.

 

O veículo esportivo protagonizou uma demonstração que chamou atenção pela combinação de engenharia automotiva e tecnologia aeroespacial. Em um evento transmitido pela internet, o carro percorreu uma rampa curva, chegou a ficar de cabeça para baixo, foi lançado ao ar, girou e pousou sobre as rodas.

 

Musk, responsável pela Tesla e pela SpaceX, resumiu a apresentação com uma frase que rapidamente repercutiu nas redes sociais: o futuro também terá carros voadores. Mas, entre a demonstração impressionante e a possibilidade de sair voando pelas ruas, ainda existe uma distância considerável.

 

Não é um avião disfarçado de carro

 

A proposta apresentada pela Tesla utiliza propulsores de gás frio, alimentados por ar comprimido em alta pressão, além de um sistema de sucção descrito durante a apresentação. A tecnologia foi desenvolvida com participação de engenheiros ligados à SpaceX, empresa aeroespacial de Musk.

 

Na demonstração, o conjunto permitiu que o Roadster realizasse um salto controlado e uma manobra no ar. Isso, porém, não significa que o veículo já seja capaz de sustentar um voo prolongado, percorrer grandes distâncias pelo céu ou desviar autonomamente do trânsito urbano.

 

A diferença é fundamental: o que foi exibido comprova uma capacidade de realizar uma manobra aérea específica, não a existência de um automóvel pronto para substituir aviões, helicópteros ou carros convencionais em deslocamentos diários.

 

O desafio não termina quando o carro pousa

 

Mesmo que a tecnologia funcione como apresentado, transformar o conceito em um meio de transporte utilizável exige responder a questões importantes: segurança dos ocupantes e das pessoas no entorno, autonomia, estabilidade, controle dos propulsores, consumo de energia e autorização dos órgãos reguladores.

 

Também será necessário definir em quais condições o veículo poderá circular e se as funções aéreas poderão ser utilizadas em vias públicas. A demonstração ocorreu em uma instalação de testes, ambiente muito diferente de uma avenida movimentada.

 

A Associated Press informou que a Tesla prevê iniciar a produção para consumidores em 2028. Ainda assim, a data não significa que o modelo estará automaticamente autorizado a voar em espaços públicos naquele ano.

 

Um projeto que já enfrentou atrasos

 

A nova geração do Roadster é aguardada há anos. A Tesla apresentou a proposta da segunda geração em 2017 e, desde então, o cronograma sofreu adiamentos. A demonstração atual representa um novo capítulo do projeto, mas não elimina as dúvidas sobre preço, entrega e disponibilidade comercial.

 

A empresa também não havia divulgado um preço definitivo para a nova versão no momento da apresentação. Segundo a Associated Press, as reservas estavam disponíveis, mas os termos informavam que não havia garantia de quando — ou mesmo se — o veículo seria entregue.

 

O que muda para quem depende do carro todos os dias?

 

Por enquanto, pouco. A apresentação não representa uma solução imediata para congestionamentos, mobilidade urbana ou transporte de passageiros. O Roadster continua sendo um esportivo de alto desempenho, e sua capacidade de realizar manobras aéreas não equivale a um sistema de transporte aéreo individual pronto para uso cotidiano.

 

A experiência também ilustra uma característica da indústria tecnológica: demonstrar que algo é possível é apenas uma etapa. Tornar essa tecnologia segura, acessível, confiável e legalmente autorizada é um desafio muito maior.

 

O carro de Elon Musk conseguiu sair do chão. A pergunta que permanece é outra: quando — e em quais condições essa tecnologia poderá sair dos centros de testes e chegar à vida real?