Foto: Divulgação - Arquivo ZMP
Natural de Santo Estêvão, ele se radicou em Feira de Santana, notabilizando-se como médico, inclusive com a implantação da Maternidade Stela Gomes. Foi secretário municipal de Saúde, atuante deputado federal, escritor e poeta, membro da Academia Feirense de Letras. Mas deixou a vida muito cedo, de forma inesperada, aos 60 anos de idade.
Sem ser feirense — nasceu no município vizinho de Santo Estêvão, em 11 de março de 1944, filho do casal Antônio Pascácio Gomes e Stela dos Santos Gomes —, Miraldo Gomes (João Miraldo dos Santos Gomes), muito cedo passou a residir em Feira de Santana, incorporando-se à vida da comunidade local de forma definitiva e positiva, a ponto de representá-la na área médica, como respeitado profissional, e no campo político, representando com brilho a Cidade Princesa na Câmara Federal, em Brasília.
Passou a residir na Princesa do Sertão aos 13 anos de idade e, assim como os demais irmãos, dotado de muita inteligência e determinação, concluiu sem dificuldade, no Colégio Estadual de Feira de Santana, o Curso Ginasial e o Curso Científico, construindo uma base sólida para dar sequência aos estudos, como pretendia, ingressando no Curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ciclo concluído com brilho em 1970, aos 26 anos. Especializou-se em Ginecologia, Obstetrícia e Ultrassonografia. Logo após a formatura, começou a exercer a atividade profissional na cidade de Santa Luz e, apesar de conquistar ali a estima e o respeito da comunidade, tinha em mente retornar à Princesa do Sertão, o que fez em 1976.
Sempre idealista e empreendedor, teve participação decisiva na implantação da Clínica Amor, posteriormente denominada Hospital São Mateus, que funciona na Avenida Getúlio Vargas. Todavia, faltava-lhe algo que fazia parte do seu ideário permanente: edificar uma maternidade modernamente equipada para atender Feira e região e, através dela, prestar uma justa homenagem à sua genitora. Assim surgiu, em 1979, a Maternidade Stela Gomes, em uma bela edificação na Rua Juraci Magalhães. Embora a medicina fosse parte do seu modus vivendi, podia dizer-se assim, pela dedicação extrema à profissão, candidatou-se à Câmara Federal em 1988, com êxito, obtendo 34 mil votos. Na atividade legislativa, foi membro atuante da Comissão de Seguridade e Saúde e da Comissão de Defesa do Consumidor, tendo integrado a missão brasileira que participou da Feira Mundial de Alimentos, nos Estados Unidos.
Na Câmara Federal, de forma atuante, o deputado Miraldo Gomes fez várias emendas e projetos relevantes em benefício da área de saúde, contemplando o Hospital Aristides Maltez, em Salvador, bem como outras unidades de saúde de Feira e região. Não pretendendo continuar na política, e sim na medicina, não mais concorreu a cargo eletivo. Todavia, não pôde se esquivar do pedido formulado pelo prefeito e amigo José Falcão da Silva (1997/2000) e foi secretário de Saúde do Município durante 10 meses, afastando-se espontaneamente. O prefeito José Falcão, em seu terceiro governo, permaneceu no cargo durante apenas sete meses devido ao grave estado de saúde e faleceu em 6 de julho de 1997, sendo sucedido pelo vice-prefeito Claylton Costa Mascarenhas.
Também voltado para a cultura de forma ampla, dedicado à literatura como leitor, poeta e escritor, membro da Academia Feirense de Letras, é de sua autoria o livro Abominável Execução de um Inocente. Casado com a professora Diana Lúcia Nogueira Falcão Gomes, que lhe deu quatro filhos, João Miraldo dos Santos Gomes foi vítima de infarto do miocárdio aos 60 anos de idade, tendo ainda, provavelmente, muitas realizações em mente, no dia 21 de dezembro de 2013.
Por Zadir Marques Porto