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Mergulhadores trabalham em limpeza de corais invasor na ilha de Itaparica

Esses invasores prejudicam os recifes nativos e causam sérios problemas nos ecossistemas marinhos.

Herbert Rodrigues
Por: Herbert Rodrigues Fonte: Ascom Inema Ba
17/05/2025 às 19h33
Mergulhadores trabalham em limpeza de corais invasor na ilha de Itaparica
Foto: Tiago Dantas

Mergulhadores submersos trabalham desde a manhã desta sexta-feira (16), na Ilha de Itaparica, na remoção dos primeiros núcleos do coral invasor Chromonephthea braziliensis, espécie que ameaça os recifes nativos. Equipados com escovas de aço, espátulas e cilindros de oxigênio, eles formam a linha de frente da força-tarefa que, após meses de preparação, inicia uma das mais complexas operações ambientais já realizadas na Baía de Todos-os-Santos. A expectativa é que mais de 1,5 tonelada do coral invasor seja removida até terça-feira (20).

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"É um trabalho de paciência e precisão", explica Zé Pescador, da ONG PróMar, que está coordenando a operação de remoção. "As equipes atuam em três pontos: na Marina de Itaparica, nas proximidades do navio afundado e na ponte próxima ao Forte da Marinha. É necessário eliminar completamente o coral do substrato — retirar cimentos, pedaços de pedra ou qualquer outro material usando espátula até que não reste praticamente nada".

 

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O método adotado é fruto de estudos realizados no início do ano por uma força-tarefa composta por pesquisadores, ONG Pró-Mar, Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). A estratégia definida combina a remoção manual com aplicação de sal ácido em áreas específicas. "A limpeza completa é essencial para que o controle traga resultados", destacou Tiago Porto, Diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema.

 

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O Chromonephthea braziliensis tem uma estrutura flexível e aparência arbustiva. Sua ameaça destaca-se por seu crescimento acelerado que pode ultrapassar 1,6 metro de altura, alta capacidade de propagação e liberação de substâncias tóxicas que eliminam organismos nativos, incluindo corais locais, além de provocar reações alérgicas em banhistas e mergulhadores que entram em contato com a espécie.

 

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Cooperação coletiva

 

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A operação marca a primeira ação concreta do plano emergencial de combate ao coral invasor, iniciado em dezembro de 2024. Além da Sema, do Inema e da Pró-Mar, o esforço reúne a Marinha do Brasil, a Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa), o ICMBio, o Ibama e instituições de ensino e pesquisa como UFBA, UFAL, USP, UFRPE e Senai/Cimatec. "Estamos diante de um desafio ecológico, e o combate a esse coral é parte de um conjunto de ações que integram o plano estadual de conservação dos recifes.", destaca Tiago Porto. No estado da Bahia, os recifes de corais são protegidos como áreas de preservação permanente.

 

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Segundo os pesquisadores, esse coral invasor não é reconhecido como presa por predadores naturais, o que favorece sua rápida proliferação. A espécie altera o ambiente marinho, levando ao desaparecimento de peixes nativos. Com o tempo, pode se sobrepor aos corais nativos, causando colapso ecológico e econômico nos recifes. "Embora nosso trabalho pareça minucioso como o de formiguinhas, ele é extremamente importante. Este é o primeiro projeto com real possibilidade de erradicar uma espécie invasora marinha", avalia Rodrigo Maia, biólogo e pesquisador da UFBA.

 

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Todo o material recolhido será dividido em duas partes. Uma será destinada ao aterro sanitário para descarte; a outra será encaminhada à Oficina Carbono 14, onde será processada, seca e posteriormente enviada ao Cimatec e à Embrapa. O objetivo é estudar possíveis aplicações e aproveitamentos do coral removido.

 

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A mobilização só foi possível após o alerta de um pescador local, que reconheceu a presença de uma espécie estranha na região. A partir disso, pesquisadores iniciaram os estudos que levaram à operação. Para Carlinhos, presidente da Colônia Z12, a parceria com os órgãos ambientais é essencial. "Esses corais impedem a multiplicação dos peixes e afetam diretamente nossa renda. O diálogo com os órgãos é importante para resolver esse e outros problemas que enfrentamos no mar. O pescador é sempre o primeiro a perceber essas mudanças."

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